As Perdas Territoriais da Fazenda São Matheus - Nilópolis

 As Perdas Territoriais da Fazenda São Matheus - Nilópolis



Figura 1: Mapa Esquemático - Áreas Atuais dos Domínios Territoriais da Fazenda de São Matheus e Seus Percentuais em Relação à Área Original em 1900.


                Atualmente, Nilópolis é o menor município do Estado do Rio de Janeiro e teve origem na área da Fazenda de São Matheus, uma das propriedades mais antigas da Baixada Fluminense. Esta fazenda surgiu no século XVII como Engenho de cana-de-acúcar pertencente à João Álvares Pereira que ergueu a Capela do Engenho dedicada à São Matheus, em 1637. Por mais de dois séculos ela pertenceu aos descendentes e parentes de seu fundador. Mas, no final do século XIX ela passou para as mãos do Barão de Bonfim e chegou às mãos de seu genro Jerônimo José de Mesquita, o Barão de Mesquita. Assim, em 22 de setembro de 1900, o Barão e a Baroneza de Mesquita venderam a Fazenda de São Matheus aos Senhores Lazaro de Almeida e João Alves Mirandela, com exceção de dois terrenos que já haviam sido vendidos ao Sr. Thomás de Souza Pereira, estes dois terrenos deram origem ao atual bairro de Tomazinho, em São João de Meriti.  

                Com a criação do Município de Nilópolis em 1947, emancipando-se de Nova Iguaçu, a maior parte da Fazenda de São Matheus se transformou no novo município. Contudo, algumas áreas da antiga fazenda de São Matheus não faziam parte do Distrito de Nilópolis que se emancipou em 1947. Dessa forma, áreas da antiga fazenda de São Matheus ficaram de fora do que hoje é o limite territorial de Nilópolis. Nos anos 1970, alguns políticos justificaram a dificuldade de crescimento econômico de Nilópolis ao seu reduzido tamanho territorial que não possuía novas áreas para a expansão de indústrias no município. Com isso, surgiu um ressentimento pelas perdas territoriais sofridas em relação às áreas da antiga Fazenda de São Matheus que ficaram em territorio de outros municípios. Essa questão das perdas territoriais estão presentes até hoje, inclusive, no site da prefeitura de Nilópolis.

Figura 2: Questão das Perdas Territoriais da Fazenda São Matheus/Nilópolis no Site Oficial da Prefeitura Municipal de Nilópolis 2

             Desde então, a questão do ressentimento das perdas territoriais da Fazenda São Matheus/Nilópolis persistem como tema nos campos: político, acadêmico, na Wikipédia e nas redes sociais. Como o Município foi intensamente urbanizado, não sobrou áreas para a expansão de indústrias e novos empreendimentos que alavancassem o desenvolvimento de Nilópolis que dentro da estrutura Urbana da Região Metropolitana do Rio de Janeiro comporta-se como uma Cidade-Dormitório, devido ao movimento de Migração Pendular realizado diariamente por sua população. Para corroborar esses argumentos, há uma grande área do Município de Nilópolis que não foi urbanizada por ser área militar, o Campo de Instrução de Gericinó. 

               Diante desses questionamentos sobre as perdas territoriais de Nilópolis, utilizamos no presente estudo uma planta de 1915 com o projeto de urbanização/loteamento elaborado pelo Engenheiro da Central do Brasil, Theodomiro Gonçalves, sócio de João Alves Mirandela, no empreendimento. Assim, identificamos 4 áreas que não foram incorporadas à área urbana de Nilópolis quando este se transformou em município. Neste sentido, enumeramos cada uma dessas áreas para facilitar o entendimento:

1 - Gericinó;

2 - Chatuba;

3 - Éden/ Thomazinho / São Matheus; e

4 - Área não Pleiteada.

             A área identificada como Gericinó, atualmente, é o parque Municpal do Gericinó. No site da prefeitura de Nilópolis há a explicação parsobre perda dessa área. Segundo o site oficial da prefeitura de Nilópolis, quando foi delimitada a área do campo de tiro do Greicinó, formado a partir das fazendas limítrofes, como a Fazenda do Cabral e Fazenda do Gericinó, compradas pelo Exército, existia uma cerca interna e uma cerca externa que era o limite entre as fazendas. A cerca externa, que seguia a Estrada do Engenho Novo, foi retirada e apenas a cerca interna dentro da Fazenda de São Matheus existia. Desse modo, o loteamento respeitou a cerca. No século XXI, após negociações, essa área foi cedida como parque Municipal para a prefeitura de Nilopolis.

            A segunda área é o atual Bairro da Chatuba em Mesquita. O motivo para a perda dessa área, segundo o site da própria prefeitura foi a utilização do Rio Sarapuí ao invés do Rio Cachoeira. Isso fez com que essa área se localizasse no distrito Sede de Nova Iguaçu e posteriormente, ao Distrito de Mesquita, que se emancipou em 1999.

           A terceira área compreende a área entre as Torres de transmissão da Light e a Ferrovia Linha Auxiliar da Central do Brasil, antiga Estra de Ferro Melhoramentos do Brasil. Essa área compreende parte dos bairros de Éden, Tomazinho e São Matheus, pertencentes ao município de São João de Meriti. Essa área pertence ao município de São João pois quando existia apenas o 4° distrito de São João de Meriti pertencente à Nova Iguaçu toda a área de Nilópolis pertencia a esse distrito. Em 1916, a área de Nilópolis foi separada do Distrito de São João, dando origem ao 7° Distrito de Nova Iguaçu. Assim, os limites entres os dois distritos sempre foram as Torres de Transmissão da Light. Quando da emancipação de São João e Nilópolis esse simples históricos se mantiveram. Diante disso, a divisão é criação do 7° Distrito de Nilópolis, em 1916, que originalmente se Chamava Distrito de São Matheus, é o principal motivo para a divisão da Fazenda São Matheus nessa área. Porque, foram utilizar as Torres da Light, atualmente, onde passa a Rodovia Via Light, e não levaram em consideração a área da Fazenda e seus limites. Diante disso, essa parte do terreno da Fazenda ficou no distrito de São João de Meriti.

            A quarta área é uma área que só foi identifica da por meio da planta de loteamento de 1915. Pois, esta área não é mencionada pela literatura. Ela está situada entre a Linha Auxiliar, antiga Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, posteriormente, Linha Auxiliar, e a cerca/limite da Fazenda São Matheus com outras fazendas seguindo a linha da Rua Iara. Desse modo, chamamos esta área de Área Não Pleiteada, justamente, porque ela foi esquecida, como se não existisse. Inclusive, esta área não é mencionada pelo site da prefeitura. Nas conversas pelos Bairro de Tomazinho, muita gente tem noção de que a fazenda de São Matheus alcançava até a Linha Auxiliar.

             Com base nas informações obtidas, cartografamos a área da Fazenda São Matheus sobre uma base cartográfica do IBGE e encontramos a área total da fazenda totalizando 19 Km2. Do mesmo modo, delimitamos as áreas da fazenda que não foram incorporadas á área urbana de Nilópolis. Optamos por trabalhar com os percentuais para facilitar o entendimento da questão. Diante disso, constatamos que a área urbana do Município de Nilópolis realmente ocupa apenas 52% da área da Fazenda de São Matheus. Assim, confirmamos que uma área considerável do que foi a Fazenda de São Matheus acabou ficando no território de outros distritos de Nova Iguaçu e posteriormente no território de outros municípios, especificamente, São João de Meriti e Mesquita.



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